Peregrinos revelam os segredos do Caminho da Fé até Aparecida
Peregrinos da cidade de Porto Ferreira revelam os segredos do Caminho da Fé até Aparecida.

Os peregrinos Antonio Eustáquio Rodrigues, o Barbicha, que por onze vezes cumpriu o Caminho da Fé, e Cláudio Ferrari, conhecido como Mauro, que conseguiu pela segunda vez cruzar os mais de 450 quilômetros até Aparecida em busca da cura contra a doença de Parkinson, retornaram na semana passada da mais recente viagem em companhia do “anjo da guarda” Vitor Domingos Rodrigues, que conduz o veículo de apoio e é irmão de Antonio. Foram, em média, dez dias a pé entre o Santuário Diocesano de São Sebastião, em Porto Ferreira, até a Basílica, onde assistiram à missa de acolhimento no local que abriga a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Pela primeira vez nos últimos anos os dois peregrinos aceitaram revelar alguns segredos sobre cada trecho da jornada. A reportagem reuniu depoimentos que foram colhidos ao longo de décadas. O objetivo é encorajar as pessoas que pretendem, um dia, se preparar para o desafio de fé.

Porto Ferreira - Casa Branca: “A maior dificuldade é a ansiedade da partida. A gente se prepara muito tempo antes, mais que seis meses. É também o trecho mais longo e mais perto de casa. Portanto a cabeça ainda está presa nas situações do dia a dia. São 52 quilômetros da antiga Igreja Matriz de São Sebastião até o descanso”.

Casa Branca - Vargem Grande do Sul: “São 42 quilômetros até a pousada da dona Cidinha, em Vargem Grande do Sul. Ela recebe os peregrinos com muita generosidade. A acolhida é perfeita. Todo mundo que faz o caminho passa por lá”.

Vargem Grande do Sul - Águas da Prata: “O maior desafio é a serra em São Roque da Fartura, distrito de Águas da Prata, na divisa de São Paulo com Minas Gerais. O trecho com montanhas é de 32 quilômetros, com paisagem de encher os olhos”.

Águas da Prata - Andradas: “O objetivo é chegar até o local de descanso porque o cansaço físico e mental é o que mais castiga. São 36 quilômetros de trecho pela serra dos Lima. Lá a dona Natalina recebe os peregrinos com grande alegria. Com aquele jeitinho mineiro, calmo e de fala mansa, oferece a conversa na varanda da casa. Lugar ideal para tomar banho, jantar e desmaiar na cama”.

Andradas - Inconfidente: “É um trecho de 32 quilômetros, que praticamente tem que ser eito em perímetro urbano, passando por Ouro Fino, famosa pelo “Menino da Porteira”, por Crisólia, até Inconfidente, tudo em solo mineiro”.

Inconfidente - Borda da Mata: “Borda da Mata é conhecida como a Cidade do Pijama. Mais 36 quilômetros pela frente até Tocos do Moji que foi emancipada há 19 anos e encanta os olhos dos visitantes. Em Tocos o fio d´água que nasce em Bom Repouso se transforma em ribeirão e que mais à frente ganhará a forma de rio, o nosso rio Moji-Guaçu.”

Tocos do Moji - Consolação: “É o trecho que passaremos por Estiva. Pode-se dizer que é o pior dia dos dez dias de caminhada. Só subida, cascalho, pedra. São 31 quilômetros que valem por 310”.

Consolação - Sapucaí-Mirim: “São 42 quilômetros, passando por Paraisópolis e São Bento do Sapucaí, no antigo Caminho da Fé. A curiosidade do viajante é conhecer uma pedra que se equilibra sobre a outra”.

Sapucaí-Mirim - Santo Antonio do Pinhal: “Tudo aquilo que demoramos para subir a serra, todos aqueles dias de subida, podemos fazer a descida em apenas duas horas. A paisagem é encantadora, clima de montanha o tempo todo, antigas estações de trem e as estradas de ferro se cruzam. Nossa referência é a estação centenária de Piracuama, no município de Pindamonhangaba. Deixamos 48 quilômetros para trás ao fim da caminhada daquele dia”.

Pindamonhangaba - Aparecida: “São os últimos 50 quilômetros da Caminhada da Fé. O peregrino começa a sentir a emoção da chegada. Ao avistar a Basílica chega a sensação de missão cumprida, como uma vitória. Dá vontade de erguer as mãos e comemorar”.

O peregrino Cláudio “Mauro” Ferrari agradece à fazenda Santo Antonio, à Contac, e aos produtos Cachaça Porto Ferreira e Sabores da Minha Terra. Já Barbicha agradece a: Ademir e Rúbia (Papelaria Ideal), Gilberto Spagnolo e Fátima Libertucci (Tapeçaria Ferreirense), Cal (Duz & Malaman), Wanderlei (Espaço Doçura), Adão (Leve Produtos de Limpeza), Sebastião e Leandro Damas (Power Gym), Jornal do Porto, Marisa e Nina, Juninho Tijolos, Reinaldo Rocha (Comunidade FM), programa Raio-X, aos párocos Luís Fabiano Canatta (Reitor do Santuário), Anderson Ribeiro, Ricardo Petri e Luciano Alves, e a toda a comunidade católica ferreirense pelas orações.