Fiocruz: transmissão do coronavírus mantém ritmo de queda no Brasil
Um boletim extraordinário do Observatório Covid-19 da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), publicado na quarta-feira (20), destaca que o Brasil se mantém em um ritmo de queda dos novos casos da doença, assim como de internações e mortes. Os pesquisadores alertam, no entanto, sobre instabilidades nos dois sistemas do Ministério da Saúde que notificam casos leves de Covid-19: o e-SUS e o Sivep-Gripe. "Isso se reflete na divulgação de um número abaixo do esperado durante algumas semanas, seguida de um número excessivo de notificações, o que pode gerar interpretações equivocadas sobre as tendências locais da pandemia e a tomada de decisões baseadas em dados incompletos. A irregularidade do fluxo de notificação deve ser levada em conta e serve como alerta para as consequências de decisões, por vezes, inoportunas ou baseadas em dados incompletos e atrasados", afirmam. Na semana passada, a média diária foi de 10.200 novos casos e 330 mortes por Covid-19, segundo o relatório. "Esses valores correspondem a uma queda abrupta do número de casos (4,8% ao dia) e do número de óbitos (3,6% ao dia). Considerando a série histórica desses indicadores, os novos dados representam a manutenção da tendência de redução dos impactos da Covid-19 no país", salienta a Fiocruz. A ocupação dos leitos de UTI destinados a casos de Covid-19 no SUS está abaixo de 54% em 25 unidades da Federação. Apenas o Distrito Federal está em nível crítico, com 80%. O Espírito Santo está em alerta médio, com 71%. No caso do DF, a Fiocruz explica que o governo local "vem gerenciando a retirada de leitos de UTI dedicados à Covid-19 há várias semanas, e parece haver algum controle sobre a taxa, apesar do nível elevado". Por fim, os pesquisadores destacam que o Brasil ainda não venceu a pandemia e que a vacinação é peça fundamental nesse processo, bem como a adoção do passaporte vacinal. "Ratificamos a preocupação com a possibilidade de reveses, apesar da melhora consistente que temos observado no quadro pandêmico. O vírus não deixa de circular por decreto, e a falsa impressão de que já vencemos a pandemia, com a flexibilização de medidas que protegem contra a transmissão do vírus, pode retardar o controle mais definitivo da epidemia e remete à necessidade de continuarmos vigilantes sobre a Covid-19."